Eu queria
encontrar o caminho que leva para aquilo que a gente busca. E aquilo consegue ser
uma palavra tão genérica a ponto de satisfazer em cheio, como só ela mesma poderia,
a figura de um mundão de coisas que a gente quer. Uns querem pouquinho. Há os
que querem um pouquinho disso aqui e daquilo lá. Outros querem tanto mais do
que podem abarcar – e vão acabar percebendo, cedo ou tarde. Eu queria encontrar
o caminho pra tudo isso e que fôssemos todos na busca “do aquilo”. Mas a
verdade é que por mais que desejemos com toda nossa vontade achar o caminho – como
se fosse algo que sempre esteve nas nossas mãos e eventualmente o deixamos cair
por aí, por mais que isso seja nossa ideia da coisa e o alvo de todo nosso
empenho, assim não será. Assim simplesmente. Pois os caminhos são coisas que
devemos construir, como fez a humanidade durante boa parte da sua história:
abrindo veredas na mata fechada, seguindo persistente no vazio do deserto e
fazendo possível o impossível de atravessar os mares e os ares. Assim devemos
fazer. E o que é essa fé na sorte e no milagre do nada fazer deve ser agora fé
motriz de encontrar aquilo que não se perdeu, assim sendo, criando o que ainda
não temos e abrindo as estradas no sentido que a vida deve seguir.
(30/03/2015)
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