sábado, 11 de dezembro de 2010

Tudo bem, tudo tão normal.


Parado no meio da estrada. Ver os carros passarem não é um esporte divertido. Pelo menos, não pra mim, que queria sair sem rumo, mas vejo a toda hora vários automóveis com destino certo e horário de chegada programado. Até os pássaros, que eu pensei serem livres, não o são. Viajam em grupo para um mesmo lugar, já determinado. Por quem? Eu não sei. Só sei que por mais que eu fuja não me afastarei do que não quero. Assim como Severino, que fugia da morte, mas, a cada passo, um rastro dela encontrava.
Acordo. Me vejo em meu quarto, na minha casa de sempre. A estrada, já não vejo mais. Ouço somente o tic-tac já tão conhecido. Tudo tão regular e dentro dos padrões. Não poderia ser pior. Aguardo o fim da trilha sem me mover. Até que ponto a normalidade pode afetar um homem sem que o leve à loucura? Só testando.
De novo, tic-tac. Um relógio que não se cansa de cronometrar as eras de desgraça do homem. 
Um objeto realmente perigoso.

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