segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Save Our Souls


Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...

Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa

(Arnaldo Antunes; Alice Ruiz)


Socorro, tudo grita. No entanto, todavia, contudo, nada ouço. De tanto me fazer surdo, enquanto tudo ouvia, fui na verdade o sendo e agora nem me escuto. Mesmo aquela música, ou qualquer grito, mesmo que meu, principalmente meu, se faz agora como ausente. Mas não me engano, sei que soa por aí. A grande (nem tanto) questão é que desaprendi a me ouvir. É que achava a minha voz demasiadamente irritante e preferia ouvir o nada. Tanto apelo, tanto socorro, e nada. Agora a voz do dono grita pelo dono da voz, mas o mesmo agora é não-mais-dono de si e nada que lhe pertencia lhe é familiar. Tudo grita e eu não posso revidar. Há tanto pra se dizer, discutir, refutar, corroborar, reiterar, emitir, omitir. Quanto, tudo, tanto e mais ainda.  Grita, grito. Pois há necessidade e há o direito, como me assegurava Clarice. Mas nada adianta agora. É tanta alma pra ser salva e mais uma agora. Apenas espero, um sopro, assobio qualquer. Me ouve, me faz ouvir. Socorro.

(04/02/13)

4 comentários:

Klyvia disse...

Que bom ler o que andou escrevendo, o que não deixou de escrever... Feliz, feliz! Saudosa...

Arthur Rondeyvson Sousa Santos disse...

Feliz por te ver aqui. Saudoso também me encontro

Valéria Schmitt disse...

Muito talentoso você Arthur! Fico feliz em poder ler escritos de alguém com a sua sensibilidade! Abraços

Arthur Rondeyvson Sousa Santos disse...

Obrigado, Valéria :)