domingo, 3 de fevereiro de 2013

Qualquer coisa de triste


"Toda alegria é assim: já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino".
-Millôr Fernandes


Esse não é um bilhete suicida, de despedida ou de instruções até eu voltar. É apenas um lembrete, pra mim mesmo. Para que eu lembre que é fundamental estar triste. E que não obstante os planos traçados, tudo corre de um jeito louco, e nunca sabemos onde estamos e às quantas estamos. Vivemos disso, de estarmos assim e, de repente, não mais. É bom provarmos do fel de nossa essência, do que fizemos, do que deixamos de fazer. É que alegria demais é muito deprimente. Não suportamos de muita, só de pouquinho. Demais é por demais perigoso. Tem que se tomar tento. Tem que se deixar ficar casmurro, jururu, blue. Que aquela hora da piada é muito mais gostosa se se fizer assim. Não te preocupas. Se choro, mesmo sem lágrima, é que tô esperando a hora do sorriso. Tudo tem hora. Te lembras disso. Desculpa tudo isso, é que na minha escola só aprendi a pensar (e olha que muito), e essa história de ênclise e pontuação é demais pra mim, ainda mais nessas horas que tá tudo vindo à cabeça e não é sempre que acontece. Se espia. Mas de fininho, que é pra não perceber. Chora e resmunga um pouquinho, que é pra sorrir na hora certa. Tenho que ir agora, começa a chover e esse papel é fino que só pele de rã e tu, que sou eu, não pode deixar de ler. Não esquece. Me vou. 

(03/02/13)

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