"Toda alegria é assim: já vem embrulhada numa
tristezinha de papel fino".
-Millôr Fernandes
Esse não é um
bilhete suicida, de despedida ou de instruções até eu voltar. É apenas um
lembrete, pra mim mesmo. Para que eu lembre que é fundamental estar triste. E
que não obstante os planos traçados, tudo corre de um jeito louco, e nunca
sabemos onde estamos e às quantas estamos. Vivemos disso, de estarmos assim e,
de repente, não mais. É bom provarmos do fel de nossa essência, do que fizemos,
do que deixamos de fazer. É que alegria demais é muito deprimente. Não suportamos
de muita, só de pouquinho. Demais é por demais perigoso. Tem que se tomar
tento. Tem que se deixar ficar casmurro, jururu, blue. Que aquela hora da piada
é muito mais gostosa se se fizer assim. Não te preocupas. Se choro, mesmo sem
lágrima, é que tô esperando a hora do sorriso. Tudo tem hora. Te lembras disso.
Desculpa tudo isso, é que na minha escola só aprendi a pensar (e olha que
muito), e essa história de ênclise e pontuação é demais pra mim, ainda mais
nessas horas que tá tudo vindo à cabeça e não é sempre que acontece. Se espia.
Mas de fininho, que é pra não perceber. Chora e resmunga um pouquinho, que é
pra sorrir na hora certa. Tenho que ir agora, começa a chover e esse papel é
fino que só pele de rã e tu, que sou eu, não pode deixar de ler. Não esquece.
Me vou.
(03/02/13)
Nenhum comentário:
Postar um comentário