“Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o
viver mesmo. Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e
abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso
mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da
palavra.”
-Guimarães Rosa.
Sim. Viver é
muito perigoso. Para quem sabe, pra quem não sabe, pra quem não quer saber
(principalmente). Acontece que cada passo pensado que eu dou me faz perceber
que. A verdade é que não me faz perceber nada, já que continuo com os mesmos
passos, bem pensados, e pior, igualmente pensados. Pois, se em algum momento a
lucidez bateu à minha porta, ela simplesmente deixou um bilhete com alguma
piada sem graça que eu não entendi e não apareceu, não me disse nada, não
entrou nem se deixou ficar. Ou melhor, não a vi, não falei, não a deixei
entrar, nem tampouco, ficar. Como eu ia dizendo - e isso vem acontecendo muito
ultimamente, eu simplesmente paro o que estava falando e me enveredo por outros
meios, a ponto de me confundir e te confundir também. Desculpe-me. Como eu ia
dizendo, acontece que cada passo pensado me faz perceber que a linha de chegada
não é aquela grande faixa a ser cruzada com o rosto sorridente, suor pingando,
os aplausos, as pessoas a me receber com todos aqueles prêmios. Simplesmente
não é. De repente a gente pode se deparar com nenhuma faixa, nenhuma pessoa, ou
sorriso, ou prêmios, ou vida. E, por favor, não se irrite com essa minha
dúvida, se uso eu, se uso nós, se uso tu. É que, como várias outras coisas na
vida, eu apenas não sei. Se haverá eu, ou nós, ou tu. Apenas não sei. Eu sei
que os passos continuam pensados demais, mas é o que eu sei fazer. Eu sei o que
você quer dizer, entendo quando tenta me convencer das mudanças. Acontece que,
como para qualquer ser humano, elas são assustadoras. São aquelas grandes
pedras no meio do caminho de passos pensados. E talvez seja isso mesmo que a
gente esteja procurando. Uma boa pedra no meio do caminho. Daquelas que nos faz
tropeçar e cair de cabeça no chão e nos levanta, em outra direção, outro
caminho, outra vereda. Uma boa pedra, daquelas que caem em poemas inusitados e
que passa a ser assunto para o resto da história da literatura. Daquelas que se
impõem, pra si e para gerações futura. Like a rock ‘n’ roll. E lá está você,
tentando lembrar quando foi que o assunto se tornou sobre pedras. Como eu ia
dizendo... já não digo mais nada, porque essa pedra me tirou do meu caminho
lógico, pois é isso que ela faz, é esse o seu papel. Agora, levanto e olho.
Qual a nova direção a seguir, com meus passos, os mesmo, pensados, até
encontrar outra boa pedra que me lembre o quão perigoso é viver.
(01/02/13)
3 comentários:
Simaliiia. Me mata de orgulho esse bebê. Muito top Arthur, adorei o seu Blog.
oh, ceiça linda <3 volta sempre.
Arthuuuuuuuuuur , você bagaça kkk . ADORO seus textos . uma sensibilidade incrivel. mto bom!
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