domingo, 7 de agosto de 2011

Quase

Eu tenho um problema com o quase. Talvez porque tenho medo de ultrapassá-lo e quando chego a ele é como se estivesse já além. Talvez porque as coisas boas só o são efetivamente quando completadas. E quando se está no quase, fica aquela sensação de que tá faltando um pedaço e isso é ruim. Em vez de alegria, resta só a vontade. Talvez porque as coisas ruins, no quase, deixam aquela expectativa de poder piorar. E o medo de ultrapassar o quase é maior do que o desgosto de saber o resultado. Porque pior que o pior em si é saber que há algo pior. E talvez você que está lendo isso tenha se perdido nessa parte do texto. Mas não se preocupe, esse meu medo do quase me faz perceber que estou quase me expondo. E aí me vem outro medo: o de ser traduzido.  Ou pior: não conseguir ser compreendido e, assim, ser quase traduzido.
(16/04/11)

2 comentários:

Roberta disse...

tutu, o quase é o nada, o não fiz, o não consegui. por isso a angustia. e repare que a angustia é diferente do medo.. pois o medo exige um complemento, sente-se um medo de... sábio foi quem disse que a angustia é uma experimentação da morte (visto que a morte é o vazio, o nada)
xero

Arthur Rondeyvson Sousa Santos disse...

sábias palavas, betão. vou até postar aqui... kkk não me humilha no meu próprio blog! KKKKKK brinks a parte, realmente, o quase é o nada, o vazio... tal qual a angústia.